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Espessura de isolamento...!!!

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Espessura de isolamento!

A espessura de isolamento tem sido desde sempre discutida na perspetiva de tentativa de compreensão de qual espessura utilizar, qual o tempo de amortização, que tipo de isolamento, etc.

Neste texto iremos resumir a nossa análise à questão da espessura.

Antes demais é importante distinguir entre obra nova e obra de reabilitação/remodelação. Na obra nova a espessura de isolamento deve cumprir a regulamentação em vigor enquanto que em obra de reabilitação/remodelação será de prever o que for tecnicamente possível e aceitável pelo cliente.

Se no caso de obra nova se deve escolher qual o tipo de isolamento, a sua espessura e o tipo de solução construtiva a adotar, em obra de reabilitação/remodelação à que antes demais perceber qual a solução compatível com a realidade do local já que podem existir limitações, sejam elas de carater arquitetónico, legislativo, técnico, etc.

Obra nova
Em obra nova depois de ser escolhida a solução construtiva a adotar será da responsabilidade do Técnico de térmica elaborar projeto térmico, definindo a espessura de isolamento e tipo de isolamento a utilizar.



Tipos de isolamento mais utilizados e respetivas Condutibilidades térmicas (λ= W/m.ºC).


Depois de prever a solução de isolamento e a opção construtiva, teremos valores aproximados conforme se indica a seguir para as seguintes situações:
- Parede simples de alvenaria com tijolo simples de 22cm (Resistência térmica= 0.58 m² K/W)
- Parede dupla de alvenaria 11+15cm com cx ar >25mm (Resistência térmica= 0,84 m² K/W)
- Parede simples de alvenaria com tijolo térmico de 24cm (Resistência térmica= 1,07 m² K/W)

Nota: existem outras soluções construtivas, no entanto vamo-nos resumir ás mais utilizadas de forma a facilitar a compreensão.


Parede simples de alvenaria com tijolo simples de 22cm (Resistência térmica= 0.58 m² K/W)
Parede dupla de alvenaria 11+15cm com cx ar >25mm (Resistência térmica= 0,84 m² K/W)
Parede simples de alvenaria com tijolo térmico de 24cm (Resistência térmica= 1,07 m² K/W)


Prevendo para cada uma das soluções construtivas uma solução de isolamento térmico com uma Condutibilidade Térmica de 0,040 W/m.ºC.
 
Obra nova conclusão
Pela análise do gráfico conseguimos concluir com a adição de até 6-7cm que o Coeficiente de Transmissão Térmica (U) é menor na solução com tijolo térmico, para a mesma espessura. Também é nesta gama de espessuras (até 6-7cm) que o Coeficiente de Transmissão Térmica mais baixa. Por outro lado, em espessuras a partir de11-12cm é importante analisar o ganho obtido com maior espessura de isolamento já que, o ganho começa a ser efetivamente menor. Também é nesta gama de espessuras a partir da qual a diferença entre tijolo térmico, parede simples e parede dupla, se desvanece, apresentando diferença mínimas do ponto de vista térmico.

Obra de reabilitação/remodelação
Em obra de reabilitação/remodelação a solução de isolamento térmico a utilizar está dependente de diversos fatores que limitam a sua escolha: limitações arquitetónicas, limitações legislativas, limitações técnicas, etc. Sendo assumido em obra nova que estaremos sempre a falar em alguns centímetros de isolamento, o mesmo tem que ser visto com atenção em obras de reabilitação/remodelação.

 

Situação
Obra de reabilitação/remodelação em zona histórica com diversas limitações (arquitetónicas e legislativas) e onde se pretende evitar isolamento térmico pelo interior, não apenas pelo pouco espaço disponível, mas também porque existem patologias derivadas de pontes térmicas, que se pretendem minimizar, sendo assim preconizada uma abordagem pelo exterior.

Logo à partida uma solução “típica” de isolamento térmico pelo exterior, com alguns centímetros estava comprometida pelo facto da fachada principal estar virada para a via exterior pública e, não ser compatível com aumentar alguns centímetros o limite da fachada.

Solução
A fachada padece de alguma recuperação, existindo a necessidade de correção de materiais soltos e alguns fissuras a necessitarem de atenção. Uma vulgar “picagem” de zonas soltas e posterior preenchimento com argamassas adequadas, preenchimento de fissuras com soluções adequadas, uma ou outra correção e para finalizar um reboco, de preferência armado, no qual será aplicado uma pintura ou um revestimento final em pasta.
E O ISOLAMENTO?


É nestas situações que surge o problema: como incorporar o isolamento térmico, na solução acima sem aumentar a espessura?

Rebocos térmicos
Existem no mercado os chamados rebocos térmicos, alguns deles permitindo espessuras inferiores a 1cm, com condutibilidades térmicas que variam entre os 0,028 W/m.K (à base de aerogel), os 0,040 W/m.K (à base de cortiça e EPS) e os 0,070 W/m.K (à base de perlite). São apenas alguns exemplos que podem variar um pouco de fabricante para fabricante, mas servem perfeitamente para o nosso exercício de compreensão.



Pretende-se demonstrar na ótica do isolamento térmico que mesmo alguns milímetros de um material com alguma componente térmica, proporciona uma melhoria térmica, que nunca será comparável obviamente a alguns centímetros de um material isolante, mas que na prática justifica analisar a substituição de um reboco “normal” por um reboco térmico (ou pelo menos um reboco melhorado).

Vamos utilizar apenas como exemplo a parede simples de alvenaria com tijolo simples de 22cm (Resistência térmica= 0.58 m² K/W). O exemplo com parede dupla seria muito semelhante.

Vamos nesta situação utilizar os seguintes materiais como reboco térmico em espessuras até 4cm:
- Reboco térmico à base de aerogel: λ= 0,028 W/m.K
- Reboco térmico à base de EPS ou Cortiça: λ= 0,040 W/m.K
- Reboco térmico à base de perlite: λ= 0,070 W/m.K



A utilização de isolamento térmico proporcionará temperaturas maiores nas superfícies interiores o que contribuirá para diminuir a probabilidade de ocorrerem condensações nas superfícies.

Obra reabilitação/remodelação - conclusão
Em obra de reabilitação/remodelação importa analisar qual a solução que melhor vai ao encontro do orçamento previsto já que algumas soluções são mais caras do que outras o que em muitos casos poderá inviabilizar a sua utilização.

De qualquer forma importa observar que numa obra de remodelação, nomeadamente em recuperação de fachadas, teremos espessuras diferentes, mas mesmo espessuras totais de 1cm têm uma poupança energética entre 13,3% e 26,0%.




vilhena

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Excelente artigo sem dúvida!

A reter algumas questões, entre as quais, em que situações se deverá utilizar um reboco térmico, em detrimento duma aplicação convencional de Etics?


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em que situações se deverá utilizar um reboco térmico, em detrimento duma aplicação convencional de Etics?
Precisamente conforme indicado quando a espessura for um problema e sempre que se pretenda utilizar um reboco para recuperação de uma fachada, substituindo-o por um reboco térmico.


vilhena

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Precisamente conforme indicado quando a espessura for um problema e sempre que se pretenda utilizar um reboco para recuperação de uma fachada, substituindo-o por um reboco térmico.

Só se for mais barato, pois tirando aerogel, para ter as mesmas prestações obriga a ter muito maior espessura.


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Só se for mais barato, pois tirando aerogel, para ter as mesmas prestações obriga a ter muito maior espessura.
A questão em relevo no caso de reabilitação/remodelação era de demonstrar que mesmo baixas espessuras podem fazer sentido quando substituímos um reboco "normal" por um térmico e não comparar 1,5cm de isolamento VS 5-6cm de isolamento.