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Condensações superficiais interiores & isolamento térmico

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Condensações superficiais interiores & isolamento térmico

O ar é constituído na sua composição por vapor de água que nas proporções existentes resulta no que vulgarmente se denomina humidade relativa (HR). No fundo é a quantidade de vapor de água que o ar contém relativamente à quantidade máxima que pode conter a uma determinada temperatura.

Se mantivermos a humidade absoluta constante a humidade relativa variará em função da temperatura.
Se mantivermos a temperatura constante a humidade relativa pode variar se variarmos a humidade absoluta por exemplo através de produção de vapor de água (i.e: respiração, cozinhar, etc.).

Obviamente se variarmos os 2 fatores, humidade absoluta e temperatura, variamos também positivamente ou negativamente a humidade relativa.

A ventilação de um local têm com principal fundamente a necessidade de renovar o ar interior no entanto não existindo permuta da energia interior com o ar insuflado existindo algumas consequências:

Ao injetarmos ar novo (i.e.; abertura de uma janela), por exemplo no inverno, iremos baixar a humidade relativa mas iremos também baixar a temperatura. Iremos assim temporariamente, até se reposta a temperatura ambiente inicial, ter uma temperatura de condensação ainda mais baixa ou seja, o vapor de água condensará mais cedo. A vantagem da ventilação (qualidade do ar) terá como consequência a desvantagem da potencial condensação nas superfícies. Se essas mesmas superfícies, por falta de isolamento, estiverem efetivamente a uma temperatura mais baixa as condensações são inevitáveis.
A variação da humidade relativa por si só não tem impacto na temperatura. Terá na medida que o baixar da humidade relativa é feito às custas da injeção de ar novo a uma temperatura mais baixa. A temperatura mais baixa já terá consequência na possibilidade de ocorrerem condensações.

Exemplo para a questão da humidade relativa:
Um compartimento com 4x4x3 (48,3m3) com por exemplo 65% de HR a 20ºC, no qual renovamos por exemplo ¼ do seu volume com ar exterior com 95% de HR a 0ºC, teremos no final e após a temperatura ambiente reposta (20ºC) um HR de cerca de 54,4%.

Nota: este exemplo foi editado já que tinha uma abordagem errada conforme salientado pelo user Eddy. Desde já os meus agradecimentos pelo alerta.

O ideal para efeitos de renovação do ar seria existir um sistema de renovação/ventilação do ar que conseguisse garantir uma renovação/ventilação constante de forma a evitar desequilíbrios.

Os sistemas etics e o seu impacto nos níveis de vapor de água e na existência ou não de condensações superficiais
A título de exemplo uma parede de 24cm com isolamento térmico pelo exterior, entre usar um EPS100 e um EPS60 existe uma diferença de 37% favorável ao EPS60 ou seja, a solução no global com EPS60 é 37% mais permeável ao vapor de água do que uma solução com EPS100.

Facilmente se perceberá que aos tornarmos a “pele” da nossa habitação menos permeável estaremos a diminuir uma das formas de equilíbrio nos valores de vapor de água forma essa, que “agradavelmente” não tem consequências na temperatura ambiente. Terá sim consequências no conforto interior (níveis de HR) e nas patologias associadas às condensações.
Para espanto de muitos no inverno o fluxo de vapor de água é sempre do interior para o exterior logo entenderão a necessidade de ter uma envolvente permeável ao vapor de água.

Relativamente às condensações interiores nas superfícies, nomeadamente nas superfícies das paredes que se torna evidente pelos aparecimentos de fungos. Através de alguns exemplos que vos deixo podem verificar que para diversas situações sem isolamento a temperatura interna das superfícies se situa nos 13ºC para uma temperatura interna ambiente de 15ºC e, de cerca de 17,5ºC para uma temperatura ambiente de 20ºC.
Também podem verificar que variando a humidade relativa interna em nada muda a temperatura da superfície. Muda sim o ponto a partir do qual irá existir condensação (ver gráfico). Também podem verificar no exemplo mais ao fundo, e como comparação para o imediatamente acima, que adicionando 6cm de isolamento térmico se aumenta a temperatura de superfície de 17,5ºC para 19ºC. Esta será a grande diferença.

Tendo uma temperatura de superfície mais elevada as condensações ocorrerão mais tarde.

Podem ainda verificar que para diversas situações a temperaturas ambientes de 15ºC e 10ºC os pontos de condensação se situam entre os 5ºC e os 9,5ºC para uma temperatura ambiente de 15ºC e para uma HR entre 50% e 70% e, entre 9,25ºC e 14,5ºC para uma temperatura ambiente de 10ºC com HR entre 50% e 70%. Conclusão: com a crescente utilização de sistemas de aquecimento aumentou-se a temperatura a partir da qual existe condensação. Se associarmos a esse fato uma falta/falha no isolamento térmico temos reunidas as condições para que ocorrerão condensações superficiais. A solução neste caso passa por se ter uma temperatura de superfície o mais alta possível e isso só se obtém através do isolamento térmico, seja ele pelo exterior, pelo interior ou no meio da caixa de ar.