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Algumas considerações sobre cores escuras em sistemas ETICS

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Algumas considerações sobre cores escuras em sistemas ETICS

Os sistemas de isolamento térmico pelo exterior (ETICS1) têm como acabamento final, um revestimento em pasta com uma granulometria certificada para o sistema homologado, já na cor final, sendo a “vitrine” do edifício, enfatizando a sua forma e “personalidade” individual.
1External Thermal Insulation Composite System


 
Pelas mais diversas razões muitas vezes existe a necessidade de utilizar uma cor mais escura, seja para realce de um determinado “corpo”, seja porque é mesmo essa a cor do edifício ou mesmo por opção pessoal.

Na generalidade os fabricantes de sistemas ETICS desaconselham a utilização de cores escuras em revestimentos finais de sistemas ETICS mas mais recentemente alguns fabricantes propõe revestimentos com maior “resistência” à degradação dos pigmentos, permitindo assim cores mais escuras.

 

Ao utilizar cores escuras mesmo que preconizadas pelos fabricantes há comportamentos que importa compreender, nomeadamente ao nível dos materiais e das condições de utilização.

Temperatura
Projetar a camada final do sistema de isolamento térmico pelo exterior com uma cor muito escura, significa que irá sujeitar a camada de reforço (barramento armado) a variações de temperatura assinaláveis, desde os +80°C a alguns graus negativos. Estas amplitudes térmicas, mesmo que os revestimentos estejam preparados para lidar com elas, representam uma “ameaça” principalmente nos meses de inverno onde as amplitudes térmicas podem variar muito rapidamente.



Cores e durabilidade da fachada
As variações de temperatura e a rapidez com que ocorrem, potencia um maior stress térmico nos materiais, podendo mesmo ocorrer fissuras ou comportamentos anómalos nos materiais, que podem mesmo levar ao descolamento.

A estabilidade, por exemplo, das placas de EPS (poliestireno expandido) em condições específicas de temperatura e humidade, é especificada na norma EN13162, na classe de estabilidade especificada para o comprimento, largura e espessura, indo da classe DS(70,-)1, que significa uma variação permitida de 1% nas dimensões, até DS(70,-)3, que significa uma variação permitida até 3%. Ambos os exemplos para uma temperatura de 70°C e um período de 48h. Existe ainda uma outra classe DS(70,90)1, que apresenta uma variação permitida de 1% para uma temperatura de 70°C, uma humidade relativa de 90%, durante um período de 48h.

Um dos parâmetros que determinam o índice de reflexão de uma cor, é o seu coeficiente de reflexão da luz difusa. Essa proporção é de 100% para o branco puro (perfeito), significando reflexão total, e de 0% para o preto “perfeito”, de absorção total.

Em altas temperaturas de superfície, derivadas de cores escuras nos revestimentos, existindo humidade no interior da solução (por exemplo por não se respeitarem tempos de secagem), com facilidade a pressão de vapor é superior à permeabilidade ao vapor de água do revestimento (mesmo em revestimentos muito permeáveis), originando o surgimento de “bolhas” no revestimento.
Nas soluções com revestimentos minerais, as grandes amplitudes térmicas e rapidez com que acontecem, potencia o surgimento de fissuras e em casos mais graves ao descolamento da camada superior.



A maioria dos fabricantes refere na documentação própria os valores mínimos de reflexão à luz difusa permitidos para os seus sistemas. Valores tipicamente entre 20-30 são aconselhados de forma a evitar as já referidas tensões provocadas nas camadas finais do sistema de isolamento térmico pelo exterior.